quinta-feira, 26 de maio de 2011

Buscando a Cristo

Perdi-me!
Encontrei o amor e perdi-me.
Se me perguntares, Senhor, por onde ando e por que ando tão distante, responderei:
- Não sei, só sei que amo, e essa é a única explicação para esta distância. Como pode o amor corromper a pureza do olhar? Como pode corromper a pureza do corpo? Mas como pode também trazer tanta alegria e prazer?
Procuro-Te e não Te encontro, me achas e Te renego sempre em nome deste amor que me varia. Por ele perco a salvação com gozo e caio na desespero em deleite. Não quero sair!
Minhas lágrimas caem para Ti. Elas rolam meu rosto abaixo para explicar-lhe minha confusão... Não sei, realmente não sei mais, Senhor, quem eu sou!
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A vós correndo vou, braços sagrados
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas recobertos.
Pois para perdoar-me estais despertos,
E, por não condenar-me estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangie vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me
Para ficar unido, atado e firme.

(Gregório de Matos)


Um comentário:

  1. Dualidade de amores, amor carnal x amor divino. É um tema interessante esse. E ficou legal o texto. E isso me lembra que eu fiquei de ler os sermões do gregório e nunca li.

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